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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma palavra nova: solitude

Sempre aprendi na faculdade que quanto maior a interação entre os indivíduos mais comunicação é gerada. E dentre tantas interações acrescentei uma palavra nova no meu dicionário – solitude.

Na hora este verbete me foi definido como: “a capacidade de se estar só, mas mesmo assim bastar a si mesmo”. Nem preciso dizer que quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi catar a bendita palavra no meu dicionário. Na minha procura toda hora me vinha à cabeça “estou sozinha sim, mas com solitude”, longe de mim descordar do sentimento de outrem sobre si mesmo. Eis que na minha caça à nova palavra vi que era sinônimo de solidão.

Solitude, solidão...

Agora vamos pensar, desde quando solidão é uma coisa boa. Então deixei o significado real da palavra para escanteio e pensei na definição que me deram. E aí veio mais uma parte da conversa na minha mente: “eu não preciso de ninguém, tenho solitude”. Sim, é uma coisa confusa e nada poética quando se sabe o real significado da palavra. Deixo claro, antes de concluir meu texto, que esse papo de universitárias divagando sobre seus sentimentos entre uma aula e outra é complicado de entender mesmo.

Quando fui argumentar, até a evolução de Darwin entrou no nosso papo. “As girafas tem seus pescoços maiores hoje do que foram algum dia. Isso aconteceu pela teoria da evolução, elas se adaptaram ao ambiente hostil em que viviam, você sabia disso?”. Pode parecer engraçado para quem está lendo, mas imaginem ouvir uma coisa dessas quando o assunto é do campo emocional! Imediatamente pensei: “não serei como as girafas, não vou modificar nada em mim simplesmente por que vivo em um ambiente hostil”. A conversa durou horas, e nela também pude perceber que o brilho no olhar de quem falava ia mudando (pra pior). Cada vez que era repetido: “tenho solitude” – o olhar ficava mais, como posso dizer, ranzinza.

E foi por essa percepção que decidi que não quero ter a tal de solitude com seu alter-significado. Se as girafas decidiram se modificar fisicamente, ótimo para elas. Prefiro escolher a solidão para mim. Não importa até quando vá a sua validade. Se eu, simples homo sapiens tenho validade, a solidão que é sentida por mim também terá! E, enquanto a vida útil dela durar, vou curtindo cada sensação por ela proporcionada, é só o que resta mesmo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O lado do sim e o lado do não. Qual é o certo de se estar?

Numa de minhas conversas por e-mail, ouvi (aliás, li): “não posso acabar agora, a pessoa depende muito de mim! Ficará muito magoada, vê em mim um porto seguro!”
Agora penso com meus botões: que porto seguro é esse, que pelo teor da conversa, está afundando?


Descobri com essa conversa, que assim como iniciar algo, terminar também é complicado. Laços, estratégicos ou não, são difíceis de serem desatados. E quando o são, geram grandes reviravoltas na vida. Dessa história em particular, vi o começo, andei pelo intermediário e agora anseio por um final. Sei que não será feliz para um de seus protagonistas. O Manoel Carlos com certeza não escreveria um final desse para uma de suas novelas. Afinal, um dos personagens principais, e que nem sequer é o antagonista, sairá numa situação desvantajosa.

A vida é assim: o equilíbrio impera, você pode estar bem em um âmbito de sua vida. Mas um dentre tantos outros existentes, estará uma bosta. É assim que se vive. Equilíbrio é a chave. Temos que aceitar e ir mudando conforme a maré nos traz as situações do nosso cotidiano. Já ouviram o dito popular: azar no jogo, sorte no amor. Eu sou franca em dizer que em certas situações, prefiro ter sorte no jogo e azar no amor. Precisamos de muita coisa para sermos quase completos. Digo “quase”, por que ser totalmente completo é impossível, a menos que estejamos mortos. A morte é o final de tudo, é quando nada mais podemos aprender e nem ensinar. Pronto, completude.

Eu danço conforme a música. Procuro vivenciar todas as faces da moeda. Em situações parecidas, já tive a chance de estar do lado do sim e do lado do não. Com isso fui dominando certos instintos e deixando que se criassem muitos outros em mim. Por isso acordo com uma Cristina diferente a cada manhã, meus valores não mudam. Entretanto, tenho agora diversas formas de ver, sentir e experimentar uma situação. A escolha de como isso será feito, depende de mim.

domingo, 31 de maio de 2009

A vida me transforma ou sou eu quem transforma a vida?

Refletindo sobre minhas aventuras cardíacas cheguei a uma conclusão: tenho sim, auto-sugestão. Já fiz, mais de mil vezes, tempestade em copo d’água. Continuo fazendo. É intrínseco a mim. Eu poderia esperar e construir através das informações que vem a mim com o tempo. Eu poderia fazer... Mas não faço.

Com enorme dificuldade analiso tudo o que construí. Mundos, pessoas, histórias, tudo está dentro de mim. Rimas perfeitas e tão certas, porém irrealizáveis quando tento colocá-las em prática. Minha mãe sempre me diz: “coloque seus pés no chão”. E quando tudo que era pra ser não foi, é que sinto o chão debaixo dos meus pés... Entretanto, não foi por que simplesmente não era para ser. Não foi por que nunca existiu nada que o fizesse ser.

Há sim, uma dose enorme de fantasia. Se não houver, respiro? Acho que não. Não digo com certeza porque nunca vivenciei uma situação sem antes imaginá-la, vivenciá-la dentro dos meus sentimentos, dentro da minha cabeça. A realidade que sempre me foge nos momentos, tanto primeiros como intermediários, vem à tona.
Quem é que não anseia para que tudo saia nos conformes. Pra que tudo seja como o planejado. Sem estratégia alguma, como se tudo dependesse apenas de nós mesmos, fixamos uma situação no nosso interior que na maioria das ocasiões não se realiza.

Isso me faz pensar que quando tudo se desenrola na mais perfeita sintonia, me incomoda profundamente. Quem é que não gosta de aventuras, desafios e motivos pra reclamar. Você consegue ficar mais de duas semanas, com uma vida perfeita? Reflita: “tudo na mais perfeita ordem e você não tem motivos para reclamar. Aquele sapato novo que você comprou, moldou-se perfeitamente aos seus pés”.

Quando não temos mais nada com o que nos preocuparmos, não encontramos motivos que nos façam acordar de manhã e ansiar por um dia melhor que o anterior. Perdemos-nos na inércia e em nada mais melhoramos. Acho que é por esse motivo que sou assim. Tenho um guarda-roupa de simulacros e máscaras para cada acontecimento. Como a verdade sempre aparece, tenho um trabalho a mais para me acostumar com ela e tentar melhorá-la. Pronto! E é ai que se passam os dias!