domingo, 16 de agosto de 2009
Outros Ares
Os ponteiros do relógio que antes eram vulto nos meus olhos
Agora passam, muito mais devagar
Ficam horas parados!
No mesmo lugar...
A janela que antes me mostrava a rua
Me revela ruína e a dor de estar na calçada
Meus olhos fechados, já não vêem mais
Talvez seja a mudança dos meus horizontes
Mais curtos ou amplos, ainda não sei
Meus olhos agora querem o além
É ao invés de estar por cima,
Anseio conhecer o que está submerso
terça-feira, 14 de julho de 2009
O tempo do momento
O tempo do banho, da refeição
Pode ser o tempo do padre e seu sermão
Do poeta, da sua pena e papel na mão
Curto, intenso e cheio de imaginação
Solidão que outrora conforta
Hoje caminha junto a um escorpião
Que entra devagar pela porta
Curioso, intenso, buscando tradução
Papo avulso e descobertas
Que não faz esse menino?
Passa o dia tentando entrar
Forçando portas, pouco alerta
As feridas não estão mais abertas
É verdade, o tempo cura
Agora, é deixar os dias passarem
E viver noites de loucura
terça-feira, 2 de junho de 2009
Paixão em palavras
Hoje, conversando por e-mail com um amigo muito querido, me foi feita a seguinte pergunta: “O que é estar apaixonada pra você?”.
Pronto! A minha ferida ficou exposta. De imediato, tirei meu time de campo. Não consegui resolver este difícil cálculo da minha matemática emocional. E confesso, não me esforcei para resolvê-lo, pois vivo com a paranóia: quanto menos falar sobre mim, menos conheceram a minha linha de raciocínio”.
Na minha ânsia de obter alguma resposta, devolvi a pergunta. E, sem nenhum problema me foi respondido: “é esquecer de si mesmo, se preocupar em fazer a outra pessoa mais feliz do que eu mesmo, é sentir a alegria e a dor quando ela sentir, é nos tornarmos uma só pessoa... etc”. Pasma, contra-ataquei: “Isso não é paixão é amor”. E cinco minutos depois, veio a resposta “amor que não tenha paixão, não é amor, nem paixão sem amor não é paixão !!!”.
Depois disso, pasma e sem a definição d a minha própria resposta decidi ir à faculdade. Fui e voltei de minha rotina acadêmica fazendo uma auto-análise do que seria estar apaixonada. Não que eu nunca tivesse me apaixonado por ninguém. Já me apaixonei. Mas, nunca pensei em descrever o que era estar nessa situação.
Depois de horas com meus neurônios em ebulição e sem nenhuma resposta concreta desisti de pensar. Nessa hora, me veio à mente que estava racionalizando demais uma questão puramente passional. Mudei de caminho. Parei de pensar. Apenas senti. Não, não descobri a resposta. Portanto, não tenho como escrevê-la aqui. Se é que há uma resposta certa.
Contudo, posso descrever o que senti e todas as minhas sensações. Foram vários sorrisos inconscientes, um coração batendo acelerado. Uma incrível vontade de estar junto e muitas preocupações com o bem-estar, e como e onde a pessoa estaria naquele momento. Articulei e imaginei, várias maneiras de fazê-lo feliz, de conquistá-lo e de estar perto dele.
Assim, passaram-se alguns minutos, até que entrando na minha realidade novamente, pude concluir que a paixão não é algo tão bom assim. Ela também é capaz de nos trazer tristeza. Pois, foi isso que senti quando pensei que não era eu a pessoa que ele desejava que estivesse ao seu lado.