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domingo, 29 de novembro de 2009

Em pátria estrangeira

A bola que na rede parou
O pião que nunca mais girou
São lembranças da infância
Que o avião levou

Longe da minha terra
Penso em tudo o que lá ficou
Tem família, tem amigos
E a mulher que me amou

Neste chão estrangeiro
Não sei o que dizer
O que falo não entende
Estou em desespero

Preso pelos deveres da pátria
Daqui não me posso ir,
Entre granadas e canhões
Hinos do país e velhas canções

Só me resta uma saída
A de dormir e sonhar
Sonhar com a casa que deixei
E com quem lá está

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O sonhar do sono

O sonho do sono
que sonha em sonhar
um lugar mais alto
lá não está...

quem sabe onde está?
na pétala da flor?
na luz do luar...
ou no fundo mar?

Lugar escuro e calmo
uma surda imensidão
uma sereia na lupa
uma vontade na mão

O sono que mergulha
sempre em busca de sonhar
vê na calma e mansidão
um lugar para estar


Ilustração por: lestoilesdaz

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sonhar a própria essência

Sou a amante mais fervorosa da impossibilidade. A crédula mais fiel do inacreditável. E o coração mais sonhador que conheço e reconheço. Cada minuto do meu dia em que respiro os meus sonhos, sinto-me mais viva e com mais vontade de respirá-los. Impossíveis? São. Sabe aquelas estatística do 0,1 entre 1 milhão? Então! Meus sonhos se encaixam perfeitamente!

Claro, eu poderia mudar. Contudo, minha essência ficaria para trás. Aquilo que me faz sentir diferente de qualquer outro. O que me difere, o ritmo raro da música da minha vida ficaria no sótão do meu ser. Eu não quero isso.
Posso dizer que sonhos não realizados para outras pessoas são motivo de grande frustração. Para mim, são alimentos da imaginação. Não posso, não devo e não vou deixar de sonhá-los jamais. Choro por eles quantas vezes for. Até desisto de realizá-los.


Mas, deixar de sonhá-los, jamais.

Ouço muitas pessoas falarem sobre si mesmas. Dizem já ter feito centenas de auto- análises. Mas nenhumas delas sentiram o próprio interior. Não sentiram quem realmente eram. Não viram as próprias peculiaridades. Aquelas que só o nosso microscópio interior é capaz de ver.

Sei que é impossível alcançar a plenitude. Longe de mim querer ser um novo profeta deste século. E registro aqui, que a metade das loucuras que sonho, não são para serem realizadas. São apenas para serem sonhadas e fazerem com que meu coração bata cada vez mais forte e mais acelerado.


Deixar de sonhá-las, jamais.

Acordo  todas as  manhãs e vivo um dia cheio. Cheio de tudo. E dentre todos os acontecimentos, parar e lembro-me dos meus sonhos impossíveis. Sinto a textura, vejo a cor e os respiro a cada instante. Oxigeno meus pulmões com suas substâncias lúdicas e sonho que um dia podem ser reais.


Deixar de sonhá-los? Jamais.